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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Entrevista com Dom Pedro Casaldáliga


“Não vejo almas andando pelas ruas, vejo pessoas”, Dom Pedro Casaldáliga

Entre outras declarações Dom Pedro Casaldáliga defende que a igreja reveja o celibato


http://www.agenciadanoticia.com.br/phpThumb/phpThumb.php?src=fotos/mega_noticias_fotos/8062/capa/mid/8062.JPG&w=400&h=300&q=95&far=C&zc=1
Dom Pedro Casaldáliga 
Foto por: Agência da Notícia com Ari Dorneles
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Queria começar este texto perguntando o que faz um homem ser um herói, mas ao pesquisar mais a fundo o conteúdo desta entrevista percebi que se assim fizesse estaria cometendo um grande equivoco, pois ser um herói é bem diferente de ser um santo.
E talvez esta seja a melhor definição de Dom Pedro Casaldáliga, bispo da prelazia de São Félix do Araguaia que enfrentou a ditadura e os poderosos do latifúndio para defender aquilo que acreditava, construiu uma imagem ao longo do tempo, que ele mesmo afirma ser impossível negar, mas que também não pode se aproveitar dela.
Deus não chama ninguém a ser herói, chama alguns para ser santo. E estes apesar de fazerem muito, e muito mais que os heróis, acham que poderiam ter feito mais, pois não fazem com sua força própria, fazem com a graça.
Veja trechos da entrevista de Dom Pedro Casaldáliga ao jornal Agência da Notícia do dia 28 de fevereiro. Nela ele fez declarações polêmicas em relação à política, ao agronegócio e a igreja Católica.
Ao lutar contra o latifúndio, automaticamente o senhor teve de enfrentar pessoas poderosas na região, em uma época onde a lei do mais forte prevalecia, quais foram os momentos mais críticos que o senhor enfrentou?
- Vivíamos sobre constantes ameaças, era uma situação tensa, não podia estar em cima do muro, ou defendia o latifúndio ou os trabalhadores e os índios. As forças armadas do governo agiam estritamente na área da prelazia, era uma operação de controle. Eu fui ordenado Bispo em 1971 na beira do Rio Araguaia, só não cortaram meu pescoço ou me devolveram à Espanha, porque eu era Bispo.
O senhor foi perseguido por latifundiários, sofreu oposição dentro da própria Igreja Católica, o que o motivava a continuar lutando pelos mais fracos?
- Um jornalista me perguntou uma vez em Porto Alegre do Norte se eu sentia culpa pela morte do padre João Bosco, eu respondi a ele que o culpado era Cristo, por Ele que o padre João Bosco estava aqui. Eu estou aqui pelo evangelho, mas para mim as questões secundárias, não são secundárias, pois Cristo veio para salvar almas, mas não vejo almas andando pelas ruas, vejo pessoas.
Do que o senhor sente saudade?
- De Deus, tenho vontade de estar cheio de Cristo. Saudades de muitas coisas, da família, de lugares por onde andei. Saudades de coisas especificas como um prato servido na Catalunha, um pão com tomate, azeite de oliveira e um pedaço de pernil, que só é encontrado lá, faz tempo que estou de regime, sem sal, sem frituras e sem gorduras, como diziam uma mulher sem graça. Gosto muito de cinema, da pra assistir alguns filmes de vez em quando aqui em casa, isso facilita um pouco. Tenho saudades dos amigos, dos perigos, mas não sou um saudosista romântico.
O senhor tem idéia do que Dom Pedro Casaldáliga significa para o Mato Grosso, e isso lhe deixa apreensivo?
- Eu procuro insistir sempre com a equipe pastoral, que por ser Bispo, por meu temperamento, por escrever, por ser poeta, por ter feito algumas viagens e ações fui criando uma imagem que não tenho o direito de negar, mas também não posso aproveitar.
O senhor acredita que é uma pessoa radical?
- O evangelho é radical, vejo minha missão aqui como uma questão de fé. A evangelização não é uma questão apenas de alma, não vejo almas caminhando pela rua, vejo pessoas. E são as pessoas minha maior preocupação.
O senhor se negaria a abençoar um grande fazendeiro, ou rezaria um missa em uma grande propriedade rural?
- Hoje já sou um Bispo aposentado, mas para fazer isso é preciso cumprir as normas da igreja. A questão não é se a pessoa é rica ou pobre, mas sim se é uma pessoa de bem ou não, explorador ou não. Agora como vou abençoar uma pessoa que explora e persegue pessoas, antigamente alguns peões se vendiam aos patrões e perseguiam seus colegas de trabalho, como abençoar uma pessoa assim? Uma vez enterramos um peão sem caixão e nome no cemitério na beira do Araguaia, e falei nessa missa que “a vida deste peão não vale menos que a minha”, mas ele estava sendo enterrado sem nenhum  registro e sem a família nunca saber o que aconteceu com ele. Isto é correto?
O que o senhor pensa quando a imprensa divulga os casos de abuso sexual cometido por padres?
- Esse problema é secular, só que acontecia dentro das próprias famílias, entre pai e filhos, irmãos, primos e isso ficava dentro da própria família. Agora a coisa estourou, primeiro porque temos mais liberdade de comunicação, segundo porque alguns espertos principalmente nos EUA e na Irlanda descobriram uma fonte para abrir processos e terceiro porque a igreja precisa reestudar novamente o problema do celibato. O vaticano disse a pouco que o celibato não é pra discutir, mas é sim, não que o celibato seja a causa principal, mas o problema sexo precisa ser revisto. Na bíblia tem três tipos de castrados, pela natureza, pelo homem e por Deus, aqueles que renunciam ao matrimonio para dedicar sua vida a obra de Deus, existe essa vocação e quem ha têm, precisa assumir. Agora falei uma vez para um grupo de seminaristas que a renúncia ao sexo não acontece uma vez apenas, mas é uma luta diária que nos acompanha a vida toda. É uma renúncia diária, é preciso rever o celibato com mais realismo.
Olhando para sua história no Araguaia o senhor tem o sentimento de que cumpriu sua missão?
- Não! Apenas fiz alguma coisa, mas poderia ter feito muito mais. Não me preocupo com isso por que Deus é amor, não seremos julgados, seremos abraçados. Jesus não disse “Juiz nosso que estás no Céu, mas Pai nosso que estás no Céu”.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

PJ lança roteiro sobre Eleições 2012


PJ lança roteiro sobre Eleições 2012



 Querida juventude,

“Felizes os que promovem a paz,
porque serão chamados filhos de Deus.”
(Mt 5,9)

O Brasil vive um momento de mudanças no cenário político nos municípios. É o tempo das eleições municipais, fato este que afetam diretamente as nossas vidas, seja pelo envolvimento próximo de muitos/as jovens, seja pela simples noção de que o nosso voto interferirá na sociedade em que vivemos pelos próximos quatro anos.
Nas eleições de 2012, mais de um milhão de jovens com 16 anos deverão votar pela primeira vez. Somados aos/as jovens de 17 a 20 anos, eles são mais de 11 milhões de eleitores. Temos também os/as mais de 17 mil jovens na faixa etária entre os 18 a 24 anos, que são candidatos aos cargos de vereador ou prefeito. Dentre eles/as muitos oriundos de uma caminhada e participação eclesial, em especial na PJ. A participação dos/as jovens na política é uma oportunidade de contribuir para a maturidade da democracia no país e boa parcela dos/as jovens brasileiros estão, sim, dispostos a participar das decisões políticas do país
Neste intuito, a Pastoral da Juventude (PJ) aproveita este momento importante para ajudar os grupos de base a refletirem melhor sobre a participação da juventude na política. Apesar dos sucessivos fatos apresentados pela mídia, especialmente nas redes sociais, desmotivando a participação da sociedade na política, é preciso ter em mente que o período das eleições é um momento que suscita na sociedade a possibilidade de mudança deste cenário.  Além disso, estamos em sintonia com a proposta da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, que este ano motiva nos cristãos e em toda a sociedade a reflexão do voto consciente, para que não sejam reeleitos candidatos de “ficha suja”. Outra proposta é promover o voto consciente que surge da necessidade de não permitir a venda de votos, uma prática que apesar de antiga e considerada ultrapassada, ainda persiste e ressurge de várias maneiras nos períodos eleitorais.
Queremos com este subsidio dialogar sobre a política para e com os/as jovens, do nosso jeito de ser Igreja, de forma simples e com uma linguagem acessível. Por isso elaboramos um roteiro para encontro dos grupos de base e rodas de conversa, divididos em dois blocos. Segue ainda, em anexo, o material da CNBB “Voto Consciente – Eleições 2012” e o documento “Pacto pela Juventude”, uma proposição das organizações da sociedade civil que compõe o Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE), para que os governos federal, estaduais e municipais se comprometam com as políticas públicas de juventude em suas ações e programas, e aos candidatos/as a prefeitos/as e vereadores/as para que incorporem as demandas juvenis em suas plataformas eleitorais.
Desejamos que este material chegue aos nossos/as jovens, bem como a vontade de mudar a sociedade em que vivemos, que inicia com o bom emprego do nosso voto.

Bom trabalho a todos/as e boa eleição!

Coordenação Nacional e Comissão Nacional de Assessores/as da
Pastoral da Juventude

Baixe o subsídio no link:
Autor/Fonte: Teias da Comunicação

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Ecumenismo - Ninguém é dono de Jesus (M c 9,30-37)


Ecumenismo - Ninguém é dono de Jesus (M c 9,30-37)- Mesters e Lopes


por CEBI Publicações
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ECUMENISMO
NINGUÉM É DONO DE JESUS
MARCOS 9,30-37

Texto extraido do livro ''CAMINHANDO COM JESUS'' - Círculos Bíblicos do Evangelho de Marcos - Coleção A Palavra na Vida 184/185. CEBI Publicações

ABRIR OS OLHOS PARA VER
O texto de Evangelho que vamos meditar hoje traz uma grande incoerência da parte dos discípulos de Jesus. Enquanto Jesus anunciava a sua paixão e morte, os discípulos discutiam entre si quem deles era o maior. Jesus queria servir, eles só pensavam em mandar! A ambição os levava a querer subir às custas de Jesus. Vamos conversar sobre isto.

SITUANDO
Esta reflexão traz o segundo anúncio da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Como no primeiro anúncio - Mc 8, 27-38 -, os discípulos ficam espantados e com medo. Não entendem a palavra sobre a cruz, porque não são capazes de entender nem de aceitar um Messias que se faz empregado e servidor dos irmãos. Eles continuam sonhando com um messias glorioso. O texto ajuda a perceber algo da pedagogia de Jesus. Mostra como ele formava os discípulos, como os ajudava a perceber e a superar o "fermento dos fariseus e de Herodes".
Tanto na época de Jesus como na époica de Marcos, havia o fermento da ideologia dominante. Também hoje, a ideologia da propagandas do comércio, do consumismo, das novelas influi profundamente no modo de pensar e de agir do povo. Na época de Marcos, nem sempre as comunidades eram capazes de manter uma atitude crítica frente à invasão da ideologia do império. A atitude de Jesus com relação aos apóstolos, descrita no evangelho, as ajudava e continua ajudando a nós hoje.

COMENTANDO
Marcos 9,30-32: O anúncio da cruz
Jesus caminha através da Galiléia, mas não quer que o povo o saiba, pois está ocupado com a formação dos discípulos e discípulas e conversa com eles sobre a cruz. Ele diz que, conforme a profecia de Isaías - Is 53,1-10 -, o Filho do Homem deve ser entregue e morto. Isto mostra como Jesus se orientava pela Bíblia, na formação aos discípulos. Ele tirava o seu ensinamento das profecias. Os discípulos o escutam, mas não entendem a palavra sobre a cruz. Mesmo assim, não pedem esclarecimento. Eles tem medo de deixar transparecer sua ignorância.
Marcos 9,33-34: A mentalidade de competição
Chegando em casa, Jesus pergunta: Sobre que vocês estavam discutindo no caminho? Eles não respondem. É o silêncio de quem se sente culpado, pois pelo caminho discutiam sobre quem deles era o maior. Jesus é bom formador. Não intervém logo, mas sabe aguardar o momento oportuno para combater a influência da ideologia dos seus formandos. A mentalidade de competição e de prestígio que caracteriza a sociedade do Império Romano já se infiltrava na pequena comunidade que estava apenas começando! Aqui aparece o contraste! Enquanto Jesus se preocupa em ser o Messias Servidor, eles só pensam em ser o maior. Jesus procura descer. Eles querem subir!
Marcos 9, 35-37: Servir, em vez de mandar
A resposta de Jesus é um resumo do testemunho de vida que ele mesmo vinha dando desde o começo: Quem quer ser o primeiro seja o último de todos, o servidor de todos! Pois o último não ganha nada. É um servo inútil (cf. Lc 17,10). O poder deve ser usado não para subir e dominar, mas para descer e servir. Este é o ponto em que Jesus mais insistiu e em que mais deu o seu próprio testemunho (cf. Mc 10,45; Mt 20,28; Jo 13,1-16).
Em seguida, Jesus coloca uma criança no meio deles. Uma pessoa que só pensa em subir e dominar não daria tão grande atenção aos pequenos e às crianças. Mas Jesus inverte tudo! Ele diz: "Quem receber uma destas crianças em meu nome é a mim que recebe. Quem receber a mim recebe aquele que me enviou! Ele se identifica com as crianças. Quem acolhe os pequenos em nome de Jesus acolhe o próprio Deus!

ALARGANDO
Um retrato de Jesus como formador
"Seguir" era um termo que fazia parte dos sitema da época. Era usado para indicar o relacionamento entre o discípulo e o mestre. O relacionamento mestre-discípulo é diferente do relacionamento professor-aluno. Os alunos assistem às aulas do professor sobre uma determinada matéria. Os discípulos "seguem" o mestre e convivem com ele. Foi nesta "convivência" de três anos com Jesus que os discípulos e as discípulas receberam a sua formação.
Não é pelo fato de uma pessoa andar com Jesus que ela já é santa e renovada. No meio dos discípulos, cada vez de novo, a mentalidade antiga levantava a cabeça, pois o "fermanto de Herodes e dos fariseus" - Mc 8,15-, isto é, a ideologia dominante, tinha raízes profundas na vida daquele povo. A conversão que Jesus pede quer atingir a raiz e erradicar o "fermanto''. Já vimos como Jesus combatia a mentalidade antigo de competição e de prestígio - Mc 9,33-37 e a mentalidade fechada de quem se considera dono de tudo - Mc 9,38-40. Eis alguns outros casos desta ajuda fraterna de Jesus aos discípulos.
.: Mentalidade de grupo que se considera superior aos outros
Certa vez, os samaritanos não queriam dar hospedagem a Jesus. Reação dos discípulos: "Que um fogo do céu acabe com esse povo" (Lc 9,54). Achavam que, pelo fato de estarem com Jesus, todos deviam acolhê-los. Pensavam ter Deus do seu lado para defendê-los. Era a mentalidade antiga de "Povo eleito, Povo privilegiado!" Jesus os repreende: ''Vocês não sabem de que espírito estão sendo animados" (Lc 9,55).
.: Mentalidade de quem marginaliza o pequeno
Os discípulos afastavam as crianças. Era a mentalidade da cultura da época em que criança não contava e devia ser disciplinada pelos adultos. Jesus os repreende: ''Deixem vir a mim as crianças!" (Mc 10,14). Ele coloca a criança com professora de adulto: "Quem não receber o Reino como uma criança não pode entrar nele" (Lc 18,17).
.: Mentalidade de quem pensa conforme a opinião de todo mundo
Certo dia, vendo um cego, os discípulos perguntaram: ''Quem pecou, ele ou seus pais, para que nascesse cego?" (Jo 9,2). Como hoje, o poder da opinião pública era muito forte. Fazia todo o mundo pensar de acordo com a cultura dominante. Enquanto se pensa assim não é possível perceber todo o alcance da Boa Nova do Reino. Jesus os ajuda a ter uma visão mais crítica: ''Nem ele, nem os pais dele'' (Jo 9,3). A resposta de Jesus supõe uma leitura diferente da realidade.
Jesus, o Mestre, é o eixo, o centro e o modelo da formação. Pelas suas atitudes, ele é uma amostra do Reino, encarno o amor de Deus e o revela (Mc 6,31; Mt 10,30; Lc 15,11-32). Muitos pequenos gestos refletem este testemunho de vida com que Jesus marcava presença na vida dos discípulos e ds discípulas, preparando-os para a vida e a missão. Era a sua maneira de dar forma humana a experiência que ele mesmo tinha de Deus como Pai:
.: Envolve-os na missão - Mc 6,7; Lc 9,1-2; 10,1.
.: Na volta, faz revisão com eles - Lc 10,17-20.
.: Corrige-os quando erram e querem ser os primeiros - Mc 9,33-35; 10,14-15.
.: Aguarda o momento oportuno para corrigir - Lc 9,46-48; Mc 10,14-15.
.: Ajuda-os a discernir - Mc 9,28-29.
.: Interpela-os quando são  lentos - Mc 4,13; 8,14-21.
.: Prepara-os para o conflito - Jo 16,33; Mt 10,17-25.
.: Manda observar a realidade - Mc 8,27-29; Jo 4,35; Mt 16,1-3.
.: Reflete com eles sobre as questões do momento - Lc 13,1-5.
.: Confronta-os com as necessidades do povo - Jo 6,5.
.: Ensina que as necessidades do povo estão acima das prescrições rituais - Mt 12,7.12.
.: Tem momentos a sós para poder instrui-los - Mc 4,34; 7,17; 9,30-31; 10,10; 13,3.
.: Sabe escutar, mesmo quando o diálogo é difícil - Jo 4,7-42.
.: Ajuda-os a aceitar a si mesmos - Lc 22,32.
.: É exigente e pede para deixar tudo por amor a ele - Mc 10,17-31.
.: É severo com a hipocrisia - Lc 11,37-53.
.: Faz mais perguntas que dá respostas - Mc 8,17-21.
.: É firme e não se deixa desviar do caminho - Mc 8,33; Lc 9,54.
.: Prepara-os para o conflito e a perseguição - Mt 10,16-25.
Este é um retrato de Jesus como formador. A formação do "seguimento de Jesus" não era, em primeiro lugar, a transmissão de verdades a serem decoradas, mas sim a comunicação da nova experiência de Deus e da vida que irradiava de Jesus para os discípulos e discípulas. A própria comunidade que se formava ao redor de Jesus era  a expressão desta nova experiência. A formação levava as pessoas a terem outros olhos, outras atitudes. Fazia nascer nelas uma nova consciência a respeito da missão e a respeito de si mesmas. Fazia com que fossem colocando os pés do lado dos excluídos. Produzia, aos poucos, a "conversão" como consequência da aceitação da Boa Nova (Mc 1,15).

fonte: www.cebi.org.br

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Mês da Bíblia

Setembro é o mês da Bíblia para várias igrejas cristãs. O Evangelho de Marcos (Mc) foi escolhido para ser o texto bíblico do mês da Bíblia de 2012. Eis, abaixo, algumas pistas para ajudar na interpretação de Mc.



Evangelho de Marcos: seguir Jesus a partir dos injustiçados.
Gilvander Luís Moreira[1]

Mc não foi escrito enquanto Jesus de Nazaré convivia com o povo, consolando os aflitos e afligindo os consolados. Mc foi escrito por volta dos anos 70 do 1º século da era cristã. Logo, trata-se de teologia da história e não de uma crônica jornalística da práxis e do ensinamento do Galileu. Provavelmente, Mc foi escrito fora da Palestina, na periferia da capital do Império Romano, onde os apóstolos Paulo e Pedro tinham, segundo a tradição, sido martirizados. Mc objetiva guiar as primeiras comunidades cristãs que enfrentavam - e, hoje, as pessoas cristãs que enfrentam -, muitos problemas e desafios.
Mc inicia dizendo: “Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.” (Mc 1,1). Assim, Marcos é o criador do gênero Evangelho. Mc é único dos quatro evangelhos da Bíblia que usa a palavra Evangelho[2] (eu + angelos, em grego), que quer dizer boa notícia aos empobrecidos e, conseqüentemente, péssima notícia para os opressores dos pobres (cf. Lc 4,18-19).
Organizado seguindo uma seqüência cronológica, Mc, com 16 capítulos, é o menor Evangelho da Bíblia. Mc é uma das fontes para a elaboração dos outros três evangelhos: Mt, Lc e Jo. Encontramos também em Mc algumas ausências. Não há narrativa da genealogia, nem das infâncias de João Batista e de Jesus, nem do Pai Nosso e nem das Bem aventuranças. A narrativa das tentações está resumida (Mc 1,13).
O autor de Mc faz questão de dizer: “Depois que João (Batista) foi preso, veio Jesus para a Galileia proclamando o Evangelho de Deus...” (Mc 1,14). Quer dizer, foi um acontecimento político - repressão ao profeta João Batista, líder de um movimento popular-religioso -, feito pelo governador Herodes, que fez Jesus reconhecer que a sua hora tinha chegado, que era preciso iniciar sua missão pública. Mc mostra também Jesus travando conflito com autoridades religiosas (Mc 2,1-3,6), mas em Mc o grande inimigo de Jesus e do seu Projeto é o poder político. Conseqüência: somos discípulos/as de um prisioneiro político. Impossível ser pessoa cristã sem se comprometer com a luta por justiça, com uma Política que constrói uma sociedade justa, solidária, ecumênica, com direitos humanos e sustentabilidade ambiental.
Em Mc, os empobrecidos, excluídos, doentes, endemoninhados, cegos, surdos-mudos... todos os injustiçados se sentem atraídos por Jesus. Vão ao encontro dele, revelam grandeza de espírito, audácia e passam a seguir o mestre Galileu tornando-se seus discípulos/as. Por outro lado, em Mc, os apóstolos e discípulos revelam ter uma grande dificuldade de entender o projeto de Jesus. São “duros e ignorantes”. Isso aparece nas repreensões a Pedro (Mc 8,32s), na discussão dos discípulos sobre a hierarquia de cada um deles na hierarquia apostólica (Mc 9,32ss), no pedido dos filhos de Zebedeu solicitando para si os primeiros lugares (Mc 10,35-45). Enfim, em Mc os/as autênticos/as discípulas/os são os oprimidos e injustiçados.
Havia na época de Marcos quem entendesse milagre como algo extraordinário e para além da natureza, feitos a serem realizados apenas por quem tivesse um poder para além do humano. Para combater essa ideia, o autor de Mc vai mostrar Jesus fazendo milagres como exercício de solidariedade, de cuidado, de ação misericordiosa. Em Mc os milagres têm também a força de desestabilizar o status quo religioso, porque Jesus, sem ser sacerdote, sendo leigo e sem cobrar nada, curava as pessoas, dentro de um processo de solidariedade gratuita. Isso minava a privatização da saúde que, sob pagamento, estava nas mãos dos sacerdotes, do sinédrio.
Marcos vai, ao longo do Evangelho, demonstrar que Jesus é o Cristo, o messias filho de Deus, mas não o messias do poder, nem do prestígio, nem da pureza, nem da Lei, nem da religião burguesa, mas o messias servo sofredor. Por isso Marcos faz Theologia crucis. Jesus é aquele que por amor extremado à humanidade se doa até ao martírio.
Marcos concebeu seu evangelho a partir da paixão. Isto se comprova pelas repetidas condenações à morte sentenciadas pela hierarquia judaica. A primeira decisão se executar Jesus foi tomada no final do primeiro confronto com adversários na Galileia (Mc 3,6); as seguintes se escalonam até o relato da paixão (Mc 11,18; 12,12; 14,1s.55). O caminho de Jesus em Mc é acompanhado pela sombra da morte.
Em Mc há um arco de tensão. Jesus é filho de Deus do início ao fim do evangelho (Mc 1,1.11; 15,39), mas como servo que ama gratuitamente a todos a partir dos injustiçados. No meio do evangelho aparecem ameaças de morte – e de ressurreição - para Jesus (Mc 8,31; 9,31, 10,33s). Assim, Jesus percebe que seu caminho passará pelo martírio. Livremente o Galileu enfrenta as injustiças e se doa integralmente.
Mc é o evangelho do Movimento e do Caminho. Jesus e seu movimento popular-religioso estão sempre se movimentando, sempre em missão, sempre a Caminho. É o Profeta que prepara o caminho (Mc 1,2) e clama para o povo preparar o caminho (Mc 1,3). Jesus está quase sempre caminhando (Mc 1,16). Vai com os discípulos “a caminho do mar” (Mc 3,7) e também descreve o que acontece pelo caminho (Mc 8,3.27; 9,33-34; 10,32.52). Da mesma forma, quem aceita Jesus deve segui-lo e empunhar seu projeto, que é de libertação integral. Em Mc o verbo “seguir” aparece dez vezes.[3] As primeiras pessoas cristãs pertenciam ao Caminho (At 9,2; 18,25-26; 19,9-23).
Em Mc, o Projeto de Jesus e seu Movimento não são uma “boa notícia para agradar gregos e troianos”, opressores e oprimidos. Trata-se de boa notícia para todos, mas a partir dos empobrecidos. Mc faz opção pelos pobres. Por isso, em Mc são freqüentes os contrastes e conflitos. Ou se está do lado de Jesus ou contra Ele. O verbo “discutir”[4] aparece várias vezes em Mc.
Em Mc estão em seguida dois acontecimentos dialéticos: o banquete da morte (festa de Herodes, cf.  Mc 6,14-29) e o banquete da vida (partilha dos pães, cf. Mc 6,30-44). O banquete da morte acontece à custa do banquete da vida.
O Herodes de Mc 6,14-29 é o Herodes Antipas, filho menor de Herodes o Grande e de Maltace, governou sobre a Galileia de 4 a.C. a 39 da Era Cristã. Ele aparece na morte de Jesus (Lc 23,7). Mandou matar João Batista (Mc 6,14-29). Segundo Flávio Josefo, as regiões de Pereia e Galileia davam à corte de Herodes cerca de 200 talentos[5] por ano.[6] Mc diz que a causa da prisão de João teria sido uma denúncia de “imoralidade”, mas Flávio Josefo dá outra versão: Herodes teria mandado matar João Batista porque a reputação dele era tão grande que os seus conselhos eram seguidos de maneira geral, e isso poderia levar o povo à rebelião e à desobediência civil, à insurreição, e por isso, considerou melhor tirá-lo do caminho a tempo do que correr perigo, no caso de virada das coisas. E então, quando já seria tarde demais, quando teria de se arrepender.
Mc denuncia esse banquete da morte e propõe o banquete da vida, que passa pela partilha do pão, pela organização, fraternidade e solidariedade.
Um oficial militar do império romano, em Mc 15,39, exclama ao contemplar Jesus crucificado: “Verdadeiramente este homem é o Filho de Deus.” Ou seja, para ser discípulo/a autêntico/a é preciso contemplar os crucificados da história, se comover com a dor deles e abraçar suas causas de libertação. Isso implica por a vida em risco.
Em Mc 16 se anuncia aos que procuram no cemitério: “Jesus está vivo, ressuscitado. Voltem para a Galileia, pois lá vocês farão a experiência de que Jesus está vivo.” Hoje, há milhões de pessoas em muitas Galileias testemunhando que Jesus e seu Evangelho estão vivos em tantos que se doam e combatem lutando por justiça e paz. Assim, o Evangelho de Marcos nos convida para seguir Jesus e seu Projeto a partir dos injustiçados.
Enfim, bom mês da Bíblia para você e sua Comunidade na companhia do Evangelho de Marcos.

Belo Horizonte, MG, Brasil, 03 de setembro de 2012.



[1] Frei e padre carmelita, mestre em Exegese Bíblica; assessor da CPT, CEBI, SAB e Via Campesina, em Minas Gerais, Brasil; e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.br – www.gilvander.org.br – www.twitter.com/gilvanderluis - facebook: Gilvander Moreira
[2] A palavra “Evangelho” aparece sete vezes em Mc (Mc 1,1.14.15; 8,35; 10,29; 13,10; 14,9).

[3] Cf. Mc 1,17.18.20; 2,14.15; 8,34; 10,21.28.32.52...
[4] Cf. Mc 1,27; 8,11; 9,10; 14,16; 12,28.
[5] 01 talento = 26 Kg e 436 gramas. Veja Mt 18,24. Segundo cálculos de alguns estudiosos, um trabalhador como aquele da parábola de Mt 20,1-15, que recebeu um denário por um dia de trabalho, levaria mais de quinze anos para conseguir juntar um único talento!
[6] JOSEFO, Flávio. Ant. XVIII, 11, 4, n. 318; cf. Guerra I, 33, 8, nn. 668-669.

domingo, 26 de agosto de 2012




Sem a luz do Espírito não se entendem estas palavras (Jo 6, 60-69) - Mesters, Lopes e Orofino

JOÃO 6, 60-69

Aqui termina o discurso de Jesus na sinagoga de Cafarnaum. Muitos discípulos achavam: Jesus está indo longe demais! Está acabando com a celebração da Páscoa! Está se colocando no lugar mais central da nossa religião! Por isso, muita gente se desligou da comunidade e não ia mais com Jesus. Jesus reage dizendo: "É o espírito que dá vida, a carne para nada serve. As palavras que vos disse são espírito e vida". Não devem tomar ao pé da letra as coisas que ele diz. Só mesmo com a ajuda da luz do Espírito Santo é possível entender o sentido de tudo que Jesus falou (Jo 14,25-26; 16,12-13).
No fim sobram só os doze. Jesus diz a eles: "Se quiserem, podem ir embora!" Jesus não faz questão de ter muita gente. Nem muda o discurso quando a mensagem não agrada. Jesus fala para revelar o Pai e não para agradar a quem quer se seja. Prefere permanecer só do que estar acompanhado por pessoas que não se comprometem com o projeto do Pai.
A resposta de Pedro é bonita: "A quem iremos? Você tem palavras de vida eterna!" Mesmo sem entender tudo, Pedro aceita Jesus e crê nele. Apesar de todos os seus limites, Pedro não é como Nicodemos que queria ver tudo bem claro de acordo com as suas próprias ideias. E, mesmo assim, entre os onze havia gente que não aceitava a proposta de Jesus.

ALARGANDO
Os discípulos rejeitam Jesus - João 6, 59-66
Em seu discurso Jesus se apresentou como um alimento que sacia a fome e a sede de todos aqueles e aquelas que buscam a Deus. A mesma privação por que passou o povo no deserto (Ex 16 e 17), quando faltaram comida e água. Diante da provação o povo caiu na tentação, duvidando da presença de Deus caminhando com eles.
Nesta mesma tentação caem os membros da comunidade do Discípulo Amado, duvidando da presença de Jesus na partilha do pão. Diante das palavras de Jesus "comer minha carne e beber o meu sangue", muitos da comunidade rejeitaram Jesus, murmurando igual ao povo do deserto (Jo 6,60). Eles tomam a decisão de romper com Jesus e com a comunidade, "voltando atrás e não andavam mais com ele" (Jo 6,66).

A profissão de fé de Pedro - João 6,67-71
Diante da crise provocada por suas palavras e seus gestos, Jesus se volta para seus amigos e amigas mais íntimos, aqui representados pelos doze, e lhes pergunta se também o abandonarão (Jo 6,67). Pedro toma a palavra em nome do grupo e professa sua fé no pão partilhado e na palavra. Jesus é a palavra e o pão que saciam o novo povo de Deus (Dt 8,3). Mas mesmo neste círculo mais íntimo existe um adversário (Jo 6,70-71) "que come do meu pão, mas levanta o calcanhar contra mim" (Sl 41,10; Jo 13,18).

Fonte:www.cebi.org.br

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Festa de Santa Rosa de Lima





Santa Rosa de Lima nasceu na cidade de Lima, capital do Peru, no ano de 1586, coincidentemente no mesmo ano da aparição da Virgem Santíssima na cidade de Chiquinquira. Isabel Flores y de Oliva é o seu nome de batismo, mas sua mãe, ao ver aquele rosto rosado e belo, começou a chamá-la de Rosa, nome com a qual ficou conhecida.


Desde pequena, teve grande inclinação à oração e à meditação. Um dia estava rezando diante de uma imagem da Virgem Maria, com Jesus Cristo ainda bebê nos braços, quando ouviu uma voz que vinha da pequena imagem de Jesus, que lhe dizia: "Rosa, dedique a mim todo o seu amor..."

A partir de então, tomou a decisão de amar somente a Jesus, mas devido à sua beleza, muitos homens acabavam se apaixonando por ela. Para não ser motivo de tentações, Rosa cortou seus longos e belos cabelos, e passou a cobrir o rosto constantemente com um véu.

Decidiu ingressar em um convento da ordem agostina, entretanto, estando diante da imagem da Virgem Santíssima no dia da sua conversão, sentiu que não podia levantar-se nem mesmo com a ajuda de seu irmão. Foi então que percebeu ser tudo aquilo um aviso dos céus para não ir, e bastou fazer uma prece à Nossa Senhora para que a paralisia desaparecesse por completo.

A partir deste dia, Rosa, que se espelhava em Santa Catarina de Sena como modelo de vida a ser seguido, passou a pedir diariamente a Deus para indicar-lhe em que ordem religiosa deveria ingressar. Percebeu que todos os dias, assim que começava a rezar, aparecia uma pequena borboleta nas cores branco e preta, e com este sinal chegou à conclusão que deveria ingressar na Congregação da Ordem Terceira de São Domingos, cujas vestimentas eram nestas cores. Tendo ingressado na ordem aos vinte anos, pediu e obteve licença de emitir os votos religiosos em casa - e não no convento - como terciária dominicana.

Construiu para si uma pequena cela no fundo do quintal da casa de seus pais, e passou a levar uma vida de austeridade, de mortificação e de abandono à vontade de Deus. Através de rigorosas penitências, Rosa eliminou de sua vida todo orgulho, amor próprio e vaidade, cumprindo à risca o que Jesus disse: "Quem se humilha será exaltado". Entre as penitências estava o jejum contínuo: Rosa consumia o mínimo necessário para sua sobrevivência e quase não bebia água. Dormia sobre duras táboas e ao olhar para o crucifixo dizia: "Senhor, a sua cruz é muito mais cruel que a minha".

Quando seu pai perdeu toda a fortuna, Santa Rosa não se perturbou ao ter que trabalhar de doméstica, pois tinha esta certeza: "Se os homens soubessem o que é viver em graça, não se assustariam com nenhum sofrimento e padeceriam de bom grado qualquer pena, porque a graça é fruto da paciência". Vivendo fora do convento, renunciou a inúmeras propostas de casamento e de vida fácil, dizendo: "O prazer e a felicidade que o mundo pode me oferecer são simplesmente uma sombra em comparação ao que sinto". Alcançando um alto grau de vida contemplativa e de experiência mística, suas orações e penitências conseguiram converter muitos pecadores.

Muitos milagres aconteceram após sua morte. Ela foi beatificada por Clemente IX em 1667 e canonizada em 1671 por Clemente X, a primeira da América a ter essa honra. É padroeira da América do Sul e das Filipinas.


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Um pouco da história de São Domingos


2º Dia – São Domingos: Homem de Oração
O1-ACOLHIDA
02- CANTO INICIAL
03- ORAÇÃO INICIAL
04- VIDA DE SÃO DOMINGOS 
Um dos traços mais fortes da personalidade de São Domingos era a sua vida de oração. Oração que era em grande parte de intercessão, porque este santo rezava sem cessar pelos pecadores e era alguém pronto a partilhar as lágrimas e semear a alegria. Uma de suas invocações pre¬feridas era: "Senhor, tende piedade do vosso povo; o que será dos pecadores?”.
Mas a vida orante de Domingos de Gusmão não era algo alienante, capaz de afastá-la dos problemas humanos. Muito pelo contrário, as dificuldades que ele encontrava o levavam à ação. Por isso, ele falava de Deus, preocupava-se com os pecadores e com os sofrimentos do povo.

Segundo o que alguns autores escreveram sobre a vida de São Domingos, "Deus tinha concedido a ele uma graça especial de oração pelos pobres, pecadores e aflitos. Ele levava as infelicidades dos outros no santuário íntimo da sua compaixão e as lágrimas que saíam fervendo de seus olhos manifestavam o ardor do sentimento que nele ardia". 
05- LEITURA BÍBLICA: Mateus 7, 7-12.
06- PARA REFLETIR:
Uma pequena história chinesa conta que certa vez, numa terra muito distante, havia um homem angustiado que percorria a terra na tentativa de encontrar Deus e falar com ele. Um dia este homem cansou de procurar. Parou e sentou-se perto de uma amendoeira e disse-lhe enfure¬cido: "Amendoeira, fala-me de Deus!" e a amendoeira floresceu.
Como a amendoeira deveríamos ter a capacidade de comunicar Deus com o mais belo sorriso aos que se aproximam de nós em busca de paz. A oração deve produzir uma mudança em nossa vida, como produziu na vida de São Domingos. Mas para que isso possa acontecer é necessário falar com Deus e estar sempre atento para ouvir sua voz. 
• Como está nossa vida de oração?
07-PRECES 
Oremos a Cristo, pastor, protetor e consolador de seu povo; e digamos com toda a confiança:
Ouvi-nos, Senhor, para a glória de vosso nome! 
01- Nós vos agradecemos, Deus e Pai de nosso Salvador Jesus Cristo, pelo conhecimento e pela imortalidade que recebemos por meio dele.
02- Concedei-nos a humildade de coração, para que possamos ajudar uns aos outros no amor de Cristo.
03- Derramai o Espírito Santo sobre nós, vossos servos, para que seja sincero o nosso amor fraterno.
04- Vós, que confiastes aos seres humanos a tarefa de governar o mundo, concedei que o nosso trabalho vos dê glória e santifique os nossos irmãos e irmãs.
05- Senhor, fazei com que esta novena seja um tempo propício à oração e à transformação. 
08- GESTO CONCRETO 
(Visite uma pessoa doente e reze com ela e para ela)
09-CÂNTICO 
10- ORAÇÃO FINAL 
Pai Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.
3º Encontro – São Domingos: Homem de Comunhão
O1-ACOLHIDA 
02- CANTO INICIAL
03- ORAÇÃO INICIAL
04- VIDA DE SÃO DOMINGOS 
Quando Domingos tinha 24 anos de idade, tornou-se cônego. Mas o que é um cônego?
Os cônegos têm as suas origens em Santo Agostinho, que propôs aos padres de sua diocese viverem em comum, seguindo o exemplo dos apóstolos. "Eles colocavam tudo em comum, vendiam suas propriedades e repartiam o dinheiro da venda com alegria e simplicidade de coração, louvando a Deus e tendo um só coração e uma só alma". Mais tarde, muitos bispos imitaram Santo Agostinho e formaram junto dele uma comunidade de padres cuja vida se assemelha à dos monges, mas que é caracterizada pelo serviço e estudo. Assim sendo, com o passar dos anos, esses padres começaram a ser chamados de cônegos e suas comunidades receberam o nome de Capítulos.
Quando Domingos revelou a sua decisão de ser cônego, ele manifestou um profundo desejo de viver uma vida comunitária.
Em 1205, o bispo Dom Diego o convida para uma viagem à Dinamarca. Numa parada em uma cidade france¬sa, chamada Toulouse, Dom Diego e Domingos puderam perceber como os hereges haviam se alastrado pela Europa. Os hereges eram pessoas que combatiam a Igreja católica,através de falsas doutrinas.
Ao regressarem da viagem, Dom Diego renuncia à sua diocese e decide se dedicar à evangelização. Esse fato influencia Domingos, que decide dedicar o resto de sua vida à pregação. 

05- LEITURA BÍBLICA: Atos dos Apóstolos 2, 42-47
06- PARA REFLETIR:
Ficou um industrial do Norte horrorizado, ao encon¬trar um pescador do Sul, deitado junto de seu barco, soltando baforadas de um cachimbo.
- Por que você não vai ao mar pescar? - perguntou o industrial do Norte.
- É porque já pescamos o quanto basta para o dia de hoje - disse o pescador.
- Por que não pesca mais do que precisa? - perguntou novamente o industrial.
- E que faria eu com o que sobra? - respondeu, outra vez, o pescador.
- Pois você ganharia mais dinheiro, amigos. Depois, com tal dinheiro, compraria um bom motor para colocar no barco. E, saindo a pescar em mar profundo, pegaria mais peixe e, com mais lucros, passaria a comprar redes de nylon que dariam mais pesca e mais dinheiro. Depois de certo tempo, possuiria uns dois barcos e até toda uma frota, ficando milionário como eu sou!
- E, depois de tudo isso, o que faria? - insistiu o tran¬qüilo pescador.
- Depois você deitava e descansava, para gozar em paz o mundo e a vida!
- E o que pensa o senhor que estou fazendo agora mesmo? - disse o pescador.
É mais prudente para uma pessoa conservar sua capacidade de ser feliz do que aprender a juntar dinheiro, e não partilhar, não vivendo em comunhão com o próximo. 

Como podemos colocar em nossa vida o exemplo de partilha das primeiras comunidades cristãs?
07-PRECES 
Cristo nos convida a todos para a ceia em que entrega seu corpo e sangue pela vida do mundo. Peçamos-lhe com amor e confiança:
Cristo, pão do céu, dai-nos vida eterna!
01- Cristo, Filho do Deus Vivo, que nos mandastes celebrar a ceia eucarística em memória de Vós, fortalecei a nossa comunhão, com a Igreja e com os nossos irmãos.
02- Cristo, sacerdote único do Deus Altíssimo, que confiastes aos sacerdotes a oferenda da Eucaristia, fazei que eles realizem em suas vidas o que celebram no sacramento.
03- Cristo, maná descido do céu, que reunis num só corpo todos os que participam do mesmo pão, conservai na paz e na concórdia aqueles que crêem em vós.
04- Cristo, que inspirastes a São Domingos o ideal da vida comunitária, ensinai-nos a viver em comunhão uns com os outros.

08- GESTO CONCRETO 
(Visitar uma família que está passando por dificuldades e partilhar algo com ela)
09-CÂNTICO (Enquanto todos cantam, reparte-se o pão)
10- ORAÇÃO FINAL 
Pai Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai
4º Encontro – São Domingos: Homem de Comunhão
O1-ACOLHIDA
02- CANTO INICIAL
03- ORAÇÃO INICIAL
04- VIDA DE SÃO DOMINGOS
Na viagem que São Domingos fez com o bispo Dom Diego, eles tomaram conhecimento de um grupo de hereges de nome:
Cátaros.
Os Cátaros eram pessoas que queriam formar uma Igreja diferente, feita somente de pessoas puras e sem pecado. Para eles, os pecadores não tinham direito ao perdão de Deus e por isso estavam condenados ao inferno. Mas Domingos vai contra esse projeto dos Cátaros, porque em vez de excluir os pecadores, ele prefere mostrar o amor de Deus por todas as pessoas. Sua missão não está em condenar, mas em tentar converter as pessoas a partir do seu exemplo de vida.
No ano de 1206, três monges se unem ao projeto de Domingos e Dom Diego. Começa a germinar a semente da Ordem dos Pregadores, em que os membros ficarão conhecidos com o nome de "dominicanos", isto é, os "Cães do Senhor". O porquê do nome deve-se ao hábito negro com manto branco usado pelos frades desta Ordem.

05- LEITURA BÍBLICA: Mateus 5, 43-48.
06- PARA REFLETIR: 
"Fui um neurótico por muitos anos, cheio de depres¬sões, angústias e egoísmo. E toda gente me dizia que mudasse o gênio, o meu jeito de ser, e todos me diziam: 
"Você é louco". Eu me ressentia com isso e não concordava, ao mesmo tempo, e queria mudar, mas não podia, apesar de tentar de tudo que era possível”.
Mas o que mais me feriu foi meu amigo, o meu melhor amigo, ele também estava sempre me dizendo: "tu precisas mudar; estás ficando louco neurótico!”. 
Certo dia, porém, este amigo me disse: “Não mudes”! 
Permanece assim como és! Gosto de ti do jeito que és; não consigo deixar de te amar!”“ 
Que melodia foi, nos meus ouvidos, esta frase do amigo: "Não mudes! Não mudes!... eu gosto de ti!”. 
Então me relaxei; voltei à vida e, oh! grande mara¬vilha, aí foi que eu mudei! Agora sei que não teria conse¬guido, realmente, transformar-me, até o dia em que encontrasse alguém que me amasse do jeito que eu era." 
"Se decidirmos amar uma pessoa só depois que ela mudar, se converter, nós nunca amaremos alguém." (Madre Tereza de Calcutá) 
-Como Deus nos ama? E como é o nosso amor para com aqueles que são colocados à margem da sociedade? 
07-PRECES 
Domos graças a Cristo que nos concede a luz deste dia e lhe peçamos:
Senhor, ouvi-nos!
01- Senhor, conservai e aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade, que derramastes em nossos corações.
02- Fazei que os nossos olhos estejam sempre voltados para Vós, para correspondermos com generosidade e alegria ao vosso chamado.
03- Defendei-nos das ciladas e seduções do mal, e protegei os nossos passos de todo o tropeço.
04- Senhor, ajudai-nos, a exemplo de São Domingos, a ver no próximo a vossa presença.
05- Dai a riqueza de vossa graça aos que vivem no matrimônio, para que sejam um sinal do mistério de vossa Igreja. 
08- GESTO CONCRETO:
(Peça perdão a quem você ofendeu e perdoe a quem ofendeu você)
09- CÂNTICO (Todos se abraçam)
10- ORAÇÃO FINAL 
Pai Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai
5º Encontro – São Domingos: Homem Servidor da Palavra
O1-ACOLHIDA 
02- CANTO INICIAL
03- ORAÇÃO INICIAL
04- VIDA DE SÃO DOMINGOS 
Com o passar do tempo, Domingos convida seus Irmãos para estudarem constantemente a Palavra de Deus e a estarem sempre ocupados na leitura, pregação e oração. A Sagrada Escritura passa a ser o ma¬nual, a cartilha de base para os Irmãos Pregadores em "" suas atividades de reflexão.
Desta forma, manifes¬ta-se uma virtude que São Domingos trazia desde criança e que ele irá transmitir aos seus irmãos dominicanos: o amor ao estudo.
Numa época em que as disciplinas intelectuais começavam a ter um significado social importante, era necessário que a Igreja colocasse a razão a serviço da fé, daí a importância atribuída pelo Irmão Pregador ao estudo. Mas esse estudo só tem sentido e valor se for colocado a serviço do próximo. Portanto, São Domingos disse: "Nosso estudo deve tender, por princípio, com ardor e com todas as nossas forças, a nos tornar capazes de sermos úteis ao próximo" (Constitutions de 1220, Prologue 2, VI, p. 163).
Um dominicano de nome Jordão de Saxe escreveu que certa vez, durante uma grande fome na Espanha, quando ainda era estudante, "emocionado pelo sofrimento do povo e ardendo de compaixão", Domingos vendeu seus livros e todos os seus haveres para socorrer os pobres e na mesma ocasião disse: "Não quero estudar em peles mortas enquanto os homens morrem de fome". 
05-LEITURA BÍBLICA: Mateus 25,14-30.
06- PARA REFLETIR:
Certo estudante, após ter se formado, decidiu viajar para uma cidade distante, para que assim pudesse colocar em prática todos os seus conhecimentos. Andou durante muito tempo, até chegar à margem de um rio. Para que ele pudesse atravessar aquele rio, ele alugou um barco e durante o percurso foi conversando com o barqueiro. 
- Pois bem, barqueiro, você conhece leis? - perguntou o estudante. 
- Não sei, não, senhor! - respondeu o barqueiro. 
- Mas que pena, pois saiba que você perdeu 1 O anos de sua vida. 
- Você já estudou sobre as estrelas, o céu, as galá¬xias? - perguntou o estudante. 
- Não, nunca estudei - respondeu o barqueiro. 
- Quanta ignorância, seu barqueiro! Pois saiba que você perdeu 20 anos de sua vida. 
- Mas você pelo menos sabe ler, não é? - insistiu o estudante. 
- Não, eu não tive condições de ir à escola e por isso não aprendi a ler - respondeu o barqueiro. 
- Ah, não me diga! Então, o senhor perdeu 30 anos de sua vida. 
A conversa foi prosseguindo. Até que num certo mo¬mento o barco começou a afundar. Então o barqueiro per¬guntou ao estudante: 
- Mas, agora me diga, rapaz, você sabe nadar? ¬perguntou o barqueiro. 
- Não - respondeu o estudante. 
- Pois você acaba de perder a sua vida - disse por fim o barqueiro. 
Muitas pessoas podem não ter uma cultura livresca, mas aprenderam muita coisa na cartilha da vida. Por isso, o nosso conhecimento deve ser colocado a serviço, e não ser usado como objeto de humilhação do outro. 
O que você sabe sobre a Igreja, você ensina aos outros? Você não poderia ser catequista? Que tal fundar um grupo de reflexão em sua rua?

07-PRECES
Bendigamos a Cristo, nosso Salvador, que pela sua ressurreição iluminou o mundo; e o invoquemos com humildade, dizendo:
Senhor, sois a esperança do vosso povo!
01- Nós vos damos graças, Senhor, porque nos enrique¬cestes em tudo, por Jesus Cristo, com o dom da palavra e do conhecimento.
02- Concedei a vossa sabedoria aos que governam as nações, para que o vosso conselho ilumine seus corações e seus atos.
03- Vós, que tornais os artistas capazes de exprimir a vossa beleza, por meio da sensibilidade e imaginação, fazei de suas obras mensagens de alegria e esperança para o mundo.
04- Vós, que por vosso Filho prometestes aos seres humanos ressuscitarem para a vida eterna no último dia, não esqueçais para sempre os que já partiram deste mundo. 
08- GESTO CONCRETO:
Procurar saber como está a catequese.
09-CÂNTICO
10- ORAÇÃO FINAL 
Pai Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai
6º Encontro – São Domingos: Homem Sensível à Realidade
O1-ACOLHIDA
02- CANTO INICIAL
03- ORAÇÃO INICIAL
04- VIDA DE SÃO DOMINGOS 
No outono de 1215, Domingos dirige-se para Roma com a in¬tenção de conseguir do papa a aprovação para a sua Ordem. O papa aceita o pedido de Domingos, mas pede que ele e seus irmãos elaborem uma regra para a Ordem dos Frades Pregadores.
Em 1216, reúnem-se os frades e escolhe-se como regra de vida dos dominicanos a Regra de Santo Agostinho.
Por esta regra eles se comprometiam a não utilizar a pregação para obter retribuição em dinheiro, a se vestirem modestamente, viver de maneira despojada, obediente e sem propriedade alguma como posse.
Assim sendo, São Domingos fez-se pobre como os pobres, sensível a todos os problemas de sua época: Pobreza, doenças, concentração de terras nas mãos de poucos.
Aos 22 de dezembro de 1216, a regra Dominicana é aprovada pelo papa Honório III.
A pregação continuava o trabalho de organização estava sendo feito e o número de padres aumentava.
Diz-se que, certa vez, o grande funda dor espanhol ficou tão profundamente impressionado com São Francisco de Assis que lhe propôs unir as duas ordens. Como são Francisco não aceitasse a proposta, o Santo rogou com lembrança daquele encontro, que o Pobrezinho de Assis lhe desse aos menos, a corda que trazia em torno da cintura.
05- LEITURA BÍBLICA: Mateus 25, 31-46.
06- PARA REFLETIR:
“Eu vi uma menina na rua, tremendo de frio, vestindo apenas um tecido muito fino, esperando que alguém lhe desse uma refeição descente. Fiquei com raiva e disse a Deus: “Como é que permitis tal situação, Senhor?”
Deus não me respondeu nada naquele momento; mas à noite ele me disse inesperadamente: “Eu, certamente, já fiz alguma coisa por aquela menina: Eu criei você!”.
"Todas as vezes que vocês fizerem isso a um dos menores de meus irmãos, é a mim que fazeis". (Mt 25, 40) 
• Somos sensíveis às angústias das pessoas nos momentos difíceis?

07-PRECES
Bendigamos a Deus, nosso Pai, que protege os seus filhos e filhas e não despreza as suas súplicas; e peçamos¬-lhe humildemente:
Nós vos louvamos, Senhor, e em vós confiamos!
01- Nós vos bendizemos, Deus Todo-Poderoso e Rei do Universo, porque, mesmo sendo pecadores, viestes à nossa procura.
02- Deus, que abris para nós as portas da vossa miseri¬córdia, não nos deixeis jamais afastar do caminho da vida.
03- Dai, Senhor, a vossos fiéis o espírito de oração e trabalho, para que vos demos graças sempre e em todas as coisas.
04- Para que possamos ser mais sensíveis às necessidades de nossos irmãos e irmãs. 
08- GESTO CONCRETO 
(Recolher algum alimento para ser distribuído entre fa¬mílias que estejam passando por dificuldades)
09-CÂNTICO
10- ORAÇÃO FINAL
Pai Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai
7º Encontro – São Domingos: Homem de Espírito Missionário
O1-ACOLHIDA
02- CANTO INICIAL 
03- ORAÇÃO INICIAL
04- VIDA DE SÃO DOMINGOS 
Quando Domingos volta de Roma, a sua Ordem já havia crescido muito. Ele resolve então espalhar seus Irmãos dominicanos por todo o mundo, não estariam mais vi¬vendo juntos, o mundo seria o seu lar. É a manifestação do espí¬rito missionário ...
O missionário é aquele que vai a serviço. Ele não pertence a lugar nenhum, não está ligado a um lugar. Está sempre disponí¬vel, sempre pronto para cami¬nhar de novo. É um peregrino. Ainda que permaneça um bom tempo num lugar determinado, nunca deixa de ser um pere¬grino. Pois ele não está neste lugar como quem pertence a ele, ele vem da parte de Deus.
"Ser enviado significa em primeiro lugar proceder de Deus. Mas em segundo lugar, significa também cami¬nhar para alguém. A pessoa que Deus envia não caminha sem rumo. O apóstolo sabe a quem vai. Sabe qual é o dom que tem de comunicar, a mensagem que deve transmitir e a obra que tem para fazer." (Pe. José Comblin)
Antes que Domingos decidisse evangelizar as pes¬soas, converter os hereges, ele necessitou ouvir a voz de Deus no deserto, no deserto de si mesmo. Deus está ligado ao deserto. O deserto é o lugar de ninguém: sem povo, sem cultura, lugar vazio de tudo, menos de Deus. É preciso passar pelo deserto para conhecer Deus de perto: renun¬ciar a muitas coisas, para ganhar outras tantas para Deus. Quando isso acontece livremente, o missionário não é mais ele próprio, pois a sua pessoa está na sua missão. 
05-LEITURA BÍBLICA: Lucas 9,1-6
06-PARA REFLETIR: 
Manhã cinzenta de outono, onde o sol teimava em sair e um escritor passeava pela praia. Viu um menino pegar as estrelas do mar que foram jogadas pelas ondas na areia e lançá-las de volta ao mar. Ele observava as repetidas operações da criança, pois a orla estava tão cheia de estrelas que quase não dava para pisar na areia branca. 
Perguntou o escritor ao menino: 
- Você acha que esse trabalho tem sentido? Você vai salvar todas as estrelas do mar? 
- Todas eu não sei. Mas para esta - pegando uma estrela na mão - a minha ação fará diferença - afirmou, jogando-a de volta para o oceano. 
Como missionários, cada um de nós deve se dedicar a devolver ao "mar da vida" aquelas pessoas que estão desorientadas, como as estrelas à margem do mar. 
Evangelizar é criar espaço para a pessoa se relacionar com Deus. 

• O que tenho feito para melhorar a Evangelização em minha paróquia?

07-PRECES 
Oremos a Cristo, que edificou sua Igreja sobre o alicerce dos apóstolos e dos profetas; e digamos com fé:
Lembrai-vos, Senhor, da vossa Igreja.
01-Ó Pai, vós que enviastes vosso Filho ao mundo para evangelizar os pobres, fazei que o Evangelho seja pregado a toda criatura.
02- Vós, que enviastes vosso Filho para semear a palavra do reino, concedei-nos colher na alegria os frutos da palavra semeada com o nosso trabalho.
03- Vós que destes a São Domingos o ardor missionário, fortalecei nossa fé e dai-nos coragem para ir ao en¬contro de nossos irmãos e irmãs.
04- Vós, que quisestes habitar num país estrangeiro, lembrai-vos daqueles que se encontram longe da fa¬mília e da pátria.
05- Dai aos pecadores a graça da conversão e aos que caíram o dom da fortaleza. 
08- GESTO CONCRETO:
(Recolher algum alimento para ser distribuído entre famílias que estão passando por dificuldades).
09-CÂNTICO 
10- ORAÇÃO FINAL 
Pai Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai
8º Encontro – São Domingos: Homem Atleta de Deus
O1-ACOLHIDA
02- CANTO INICIAL 
03- ORAÇÃO INICIAL
04- VIDA DE SÃO DOMINGOS 
A Ordem dos Pregadores crescia cada vez mais. Os confrontos com os hereges se multiplicaram e tornaram-se mais favoráveis à fé católica. Os milagres realizados por São Domingos fizeram crescer o número dos convertidos.
Entre esses milagres narram-se quatro ressurreições e um fato curioso. Um dia - numa prova de veracidade - um Escrito de Domingos foi lançado ao fogo e rejeitado pelas chamas, enquanto que o livro concorrente dos hereges ardia por inteiro no fogo.
Em 1220, os prega¬dores espalharam-se pelo norte da Itália. Mas a saúde do Irmão Pregador estava enfraquecendo. Em 1221, ele volta a Roma. Já era necessária a criação de novas asas devido ao número crescente de membros. Domingos instala-se na Basíli¬ca de Santa Sabina, que hoje é a sede mundial da Ordem dos Frades Pregadores. Ali ainda pode-se visitar o quarto onde Domingos ficou.
Dias depois, ele despede-se de Roma e em Bolonha, na Espanha, realiza o 2° Capítulo Geral da Ordem Domi¬nicana. Novas províncias são criadas. Missionários são enviados.
Na tarde do dia 6 de agosto de 1221, Domingos de Gusmão falece. Havia sido um atleta campeão da fé e um construtor das verdadeiras luzes do mundo.
Em 1234 é proclamado santo. As testemunhas de seu processo de canonização repetiram incansavelmente que ele era humilde, paciente, doce, alegre, semeador da paz e consolador de todos. E Jordão de Saxe concluiu: "Ele Acolhia todas as pessoas no seio da sua amizade, e como amava a todos, todos o amavam" .
Anos depois, surgiria entre os dominicanos um outro grande santo. Seu nome: Santo Tomás de Aquino. 
05- LEITURA BÍBLICA: 2 Timóteo 4,6-8.
06- PARA REFLETIR: 
Um monge perguntou aos discípulos como sabiam que a noite terminara e amanhecera o dia. 
Respondeu um: 
- Quando se vê um animal ao longe e se pode perceber se é vaca ou cavalo. 
- Não - disse o monge. 
- Quando se olha uma árvore à distância e se pode dizer se é figueira ou mangueira. 
- Errado de novo - disse o monge. 
- Bem então, o que é? - perguntaram os discípulos. 
- Quando você olha no rosto de qualquer homem e reconhece nele seu irmão. Quando você olha no rosto de qualquer mulher e reconhece nela sua irmã. Se não con¬segue fazer isso, não importa que horas seja pelo sol, ainda é noite. 
• O que nós podemos aprender com o exemplo de vida dado por São Domingos?
07-PRECES 
Oremos a Deus Pai, que por Jesus Cristo reuniu a sua Igreja; e supliquemos com fé e alegria:
Iluminai-nos, Senhor, com a glória de Cristo!
01- Senhor, fazei que nos dediquemos de tal modo ao serviço do próximo, que possamos transformar nossa comunidade numa oferenda agradável aos vossos olhos.
02- Senhor, enviai operários à vossa messe, para que o vosso nome seja glorificado entre todos os povos.
03- Senhor, favorecei os que procuram trabalho justo e estável, para que vivam felizes e tranqüilos.
04- Concedei, Senhor, bom tempo às colheitas, para que a terra produza muitos frutos.
08- GESTO CONCRETO
(Procure conhecer e comprometer-se com algum tipo de trabalho pastoral que é realizado em sua comunidade)
09-CÂNTICO
10-ORAÇÃO FINAL 
Pai Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai
9º Encontro – São Domingos: Um Grande Homem
O1-ACOLHIDA
02- CANTO INICIAL
03- ORAÇÃO INICIAL
04- VIDA DE SÃO DOMINGOS
São Domingos foi um homem de seu tempo, preocupado com os pecadores e os problemas do sua época. Homem como nós, mas que soube escutar a voz de Deus que ardia no seu coração.
O amor desse homem pela pregação, pela pobreza de vida, pela oração e o estudo, pela Sagrada Escritura¬, seu espírito apostólico e contemplativo, seu amor por mulheres e homens que se tornaram suas irmãs e irmãos, seus talentos para a organização e sua busca de verdade continuam a nos convocar e a nos inspirar hoje, como gente que ouve, no Irmão Domingos, o Evangelho válido para todos os tempos.
Foi esse grande homem, que organizou o rosário. Em sua época, a grande maioria do povo não sabia ler. O rosário passou a ser um meio do povo rezar o Evangelho nas palavras das Ave-Marias e dos Pai-nossos. São Domin¬gos deu o nome de Rosário a este cordãozinho com conti¬nhas, porque rezá-lo era como oferecer muitas rosas a Nossa Senhora.
Aprendamos a devoção a Maria com São Domingos, sigamos os passos dos santos e caminhemos em direção àquele que disse: "Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará nas trevas" . 
05- LEITURA BÍBLICA: Mateus 4,18-22.
06- PARA REFLETIR:
Havia uma senhora muito simples que vendia verdu¬ras na vizinhança, vendia alface, cebolinha, etc ... Certo dia, tia Tecoã, conhecida por toda a vizinhança, foi vender suas verduras na casa de um protestante e perdeu o terço no jardim da casa deste. Passados alguns dias, tia Tecoã voltou novamente à sua casa. 
Este veio logo zombar de tia Tecoã. Ele dizia para ela: 
. - Você perdeu o seu Deus? 
Ela ,humildemente respondeu: 
Eu, perder meu Deus? Nunca. 
Então ele pegou o terço e disse:
- Não é este o seu Deus? 
. Ela disse: 
- Graças a Deus, o senhor encontrou o meu terço, muito obrigada. 
- Porque você não troca este cordão com estas sementinhas pela bíblia? 
Tia Tecoã respondeu: 
- Porque a bíblia eu não sei ler, e com o terço eu , medito sobre toda a palavra de Deus e a guardo no coração. 
Ele perguntou: 
- Medita sobre a palavra de Deus? Como assim? Pode¬ria me dizer? 
- Posso sim. Quando eu pego na cruz, lembro-me que o Filho de Deus derramou todo o seu sangue pregado numa cruz para salvar o mundo. Esta primeira conta grossa me lembra que há um só Deus Onipotente. Estas 3 contas me lembram das 3 pessoas da Santíssima Trindade. Esta conta grossa me faz lembrar da oração que o Senhor mesmo me ensinou, que é o Pai Nosso. O terço tem 5 mistérios que fazem as cinco chagas de Nosso Senhor cravado na cruz, e cada mistério tem 10 Ave-Marias que me fazem lembrar os dez mandamentos que o Senhor mesmo escreveu na tábua de Moisés. 
O Rosário de Nossa Senhora tem 15 mistérios, que são os 5 gozosos, 5 dolorosos e 5 gloriosos. De manhã, quando me levanto para iniciar minha luta do dia, eu rezo os gozosos. No meio dia, no meu cansaço e na fadiga do trabalho, eu rezo os mistérios dolorosos, que me fazem lembrar da dura caminhada de Jesus até o Calvário. Quan¬do chega o fim do dia, com as lutas todas vencidas, eu rezo os mistérios gloriosos, que me fazem lembrar que Jesus venceu a morte para dar a salvação a toda a humanidade, e agora onde está a idolatria? 
Ele, depois de ouvir tudo isso, disse: 
- Eu não sabia disso, ensina-me, Tia Tecoã, a rezar o terço. 
• Tenho o costume de rezar o terço em família? 

07-PRECES:
Oremos a Cristo, que edificou sua Igreja sobre o alicerce dos apóstolos e dos profetas; e digamos com fé:
Socorrei, Senhor, o vosso povo! 
01- Vós, que chamastes o pescador Simão para dele fazer¬des pescador de homens, continuai chamando operá¬rios para que levem a vossa salvação à humanidade inteira.
02- Bom Pastor, que, depois da ressurreição, reunistes ao redor de Pedro o rebanho que estava disperso, con¬gregai o vosso povo num só rebanho e sob um só pastor.
03- Vós que enviastes o apóstolo Paulo para evangelizar as nações pagãs, fazei que a palavra da salvação seja pregada a toda a criatura.
04- Vós, que manifestastes em São Domingos de Gusmão a vossa presença, o vosso rosto e a vossa palavra, dai¬-nos a graça de nos sentirmos mais próximos de vós quando o honramos.

08- GESTO CONCRETO
(Ao final desta novena, procure fazer um gesto de con¬versão. Reflita com sinceridade e pergunte a Deus, no íntimo de seu coração: em que eu preciso mudar?)
09-CÂNTICO 
10-ORAÇÃO FINAL 
Pai Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai .