sábado, 4 de outubro de 2014

São Francisco de Assis

Santo do Dia: São Francisco de Assis - 04/10
Filho de comerciantes, Francisco Bernardone nasceu em Assis, na Umbria, em 1182. Nasceu em berço de ouro, pois a família tinha posses suficientes para que levasse uma vida sem preocupações. Não seguiu a profissão do pai, embora este o desejasse. Alegre, jovial, simpático, era mais chegado às festas, ostentando um ar de príncipe que encantava.

Mas mesmo dado às frivolidades dos eventos sociais, manteve em toda a juventude profunda solidariedade com os pobres. Proclamava jamais negar uma esmola, chegando a dar o próprio manto a um pedinte por não ter dinheiro no momento. Jamais se desviou da educação cristã que recebeu da mãe, mantendo-se casto.

Francisco logo percebeu não ser aquela a vida que almejava. Chegou a lutar numa guerra, mas o coração o chamava à religião. Um dia, despojou-se de todos os bens, até das roupas que usava no momento, entregando-as ao pai revoltado. Passou a dedicar-se aos doentes e aos pobres. Tinha vinte e cinco anos e seu gesto marcou o cristianismo. Foi considerado pelo papa Pio XI o maior imitador de Cristo em sua época.

A partir daí viveu na mais completa miséria, arregimentando cada vez mais seguidores. Fundou a Primeira Ordem, os conhecidos frades franciscanos, em 1209, fixando residência com seus jovens companheiros numa casa pobre e abandonada. Pregava a humildade total e absoluta e o amor aos pássaros e à natureza. Escreveu poemas lindíssimos homenageando-a, ao mesmo tempo que acolhia, sem piscar, todos os doentes e aflitos que o procuravam. Certa vez, ele rezava no monte Alverne com tanta fé que em seu corpo manifestaram-se as chagas de Cristo.

Achando-se indigno, escondeu sempre as marcas sagradas, que só foram descobertas após a sua morte. Hoje, seu exemplo muito frutificou. Fundador de diversas ordens, seus seguidores ainda são respeitados e imitados.

Franciscanos, capuchinhos, conventuais, terceiros e outros são sempre recebidos com carinho e afeto pelo povo de qualquer parte do mundo.

Morreu em 4 de outubro de 1226, com quarenta e quatro anos. Dois anos depois, o papa Gregório IX o canonizou. São Francisco de Assis viveu na pobreza, mas sua obra é de uma riqueza jamais igualada para toda a Igreja Católica e para a humanidade. O Pobrezinho de Assis, por sua vida tão exemplar na imitação de Cristo, foi declarado o santo padroeiro oficial da Itália. Numa terra tão profundamente católica como a Itália, não poderia ter sido outro o escolhido senão são Francisco de Assis, que é, sem dúvida, um dos santos mais amados por devotos do mundo inteiro.

Assim, nada mais adequado ter ele sido escolhido como o padroeiro do meio ambiente e da ecologia. Por isso que no dia de sua festa é comemorado o "Dia Universal da Anistia", o "Dia Mundial da Natureza" e o "Dia Mundial dos Animais". Mas poderia ser, mesmo, o Dia da Caridade e de tantos outros atributos. A data de sua morte foi, ao mesmo tempo, a do nascimento de uma nova consciência mundial de paz, a ser partilhada com a solidariedade total entre os seres humanos de boa vontade, numa convivência respeitosa com a natureza.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Nossa Senhora do Carmo

História de Nossa Senhora do Carmo
Nossa Senhora do Carmo

Nossa Senhora do Carmo tem origem no século XII, quando se um grupo de eremitas começou a se formar no monte Carmelo, na Palestina, terra Santa, iniciando um estilo de vida simples e pobre, ao lado da fonte de Elias, que se estendeu ao mundo todo.
A palavra Carmo, corresponde ao monte do Carmo ou monte Carmelo, em Israel, onde o profeta Elias se refugiou. A palavra carmo ou carmelo significa jardim.

História de Nossa Senhora do Carmo e os carmelitas

A ordem dos carmelitas venera com carinho o profeta Elias, que é seu patriarca, e a Virgem Maria, venerada com o título de Bem Aventurada Virgem do Carmo. Devido ao lugar, esse grupo foi chamado de carmelitas. Lá, esse grupo de eremitas construiu uma pequena capela dedicada a Senhora do Carmo, ou Nossa Senhora do Carmelo.
Posteriormente os carmelitas foram obrigados a ir para a Europa fugindo da perseguição dos muçulmanos. Aí se espalhou ainda mais a Ordem do Carmelo.

Devoção a Nossa Senhora do Carmo

Com a expulsão dos carmelitas de Israel, a devoção a Nossa Senhora do Carmo começou a se espalhar por toda a Europa. Também foi levada para a América Latina, logo no começo de sua colonização, passando a ser conhecida em todos os lugares. E não somente no Carmelo. Foram construídas várias igrejas, capelas e até catedrais dedicadas a Senhora do Carmo.

Aparição de Nossa Senhora do Carmo a São Simão

São Simão era um dos mais piedosos carmelitas que vivia na Inglaterra. Vendo a Ordem dos Carmelitas ser perseguida até estar prestes a ser eliminada da face da terra, ele sofria muito e pedia socorro a Nossa Senhora do Carmo.
Sua oração, que os carmelitas usam até hoje, foi a seguinte: Flor do Carmelo, vide florida. Esplendor do Céu. Virgem Mãe incomparável. Doce Mãe, mas sempre virgem. Sede propícia aos carmelitas. Ó Estrela do mar.
Então Maria Santíssima, rodeada de anjos, apareceu para São Simão, entregou-lhe o Escapulário e lhe disse: Recebe, meu filho muito amado, este escapulário de tua ordem, sinal do meu amor, privilégio para ti e para todos os carmelitas. Quem com ele morrer não se perderá. Eis aqui um sinal  da minha aliança, salvação nos perigos, aliança de paz e amor eterno. A partir desse milagre, o escapulário passou a fazer parte do hábito dos carmelitas.

Milagre de Nossa Senhora do Carmo

A partir da aparição de Nossa Senhora do Carmo a São Simão, a Ordem do Carmelo começou a florescer na Europa e em vários lugares do mundo, permanecendo firme até os dias de hoje.

O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, tradição do Carmelo

A palavra escapulário, vem do latim, escápula, que significa  armadura, proteção. O escapulário é uma forma de devoção a Maria Santíssima. O uso do escapulário é um sinal de confiança em Nossa Senhora do Carmo. A pessoa que o usa, é coberta com a proteção e as graças da Virgem Do Carmo.
O escapulário, segundo o Concilio do Vaticano II é um Sacramental, um sinal sagrado, obtendo efeitos de proteção daIgreja Católica. É uma realidade visível que nos conduz a Deus. Santa Tereza dizia que: portar o escapulário, era estar vestida com o hábito de Nossa Senhora.

Oração a Nossa Senhora do Carmo

Senhora do Carmo, Rainha dos anjos, canal das mais ternas mercês de Deus para com os homens. Refúgio e advogada dos pecadores, com confiança eu me prostro diante de vós, suplicando-vos que obtenhais a graça que necessito, ( pede-se a graça). Em reconhecimento, solenemente prometo recorrer a vós em todas as minhas dificuldades, sofrimentos e tentações, e farei de tudo que ao meu alcance estiver, a fim de induzir outros a amar-vos, reverenciar-vos e invocar-vos em todas as suas necessidades.
Agradeço as inúmeras bênçãos que tenho recebido de vossa  mercê e poderosa intercessão.
Continuai a ser meu escudo nos perigos, minha guia na vida e minha consolação na hora da morte. Amém. Nossa Senhora do Carmo, advogado dos pecadores mais abandonados, rogai pela alma do pecador mais abandonado do mundo. Ó Senhora, rogai por nós que recorremos a vós.



quarta-feira, 18 de junho de 2014

Corpus Christi


Como que prolongando a atmosfera pascal, atmosfera do mistério de nossa redenção pelo Senhor morto e glorificado, a Igreja quer celebrar de modo mais expressivo o sacramento pelo qual participamos da doação até o fim de seu corpo e sangue, conforme a palavra de Jesus na Última Ceia.

A festa de Corpus Christi não é veneração supersticiosa de um pedacinho de pão nem simplesmente ocasião para procissões triunfalistas pelas ruas. É comprometimento pessoal e comunitário com a vida de Cristo, dada por amor até a morte. É o memorial da morte e ressurreição do Cristo, como diz a oração do dia, mas não é um mausoléu. É memorial vivo, no qual assimilamos em nós o Senhor mediante a refeição da comunhão cristã, saboreando um antegosto da glória futura (cf. a oração depois da comunhão e a bela oração O sacrum convivium, de santo Tomás de Aquino). Merece atenção ainda a oração sobre as oferendas, inspirada naDidaqué e em 1Cor 10,17, utilizando o simbolismo do trigo e da uva reunidos até formarem pão e vinho para exprimir a unidade da Igreja em Cristo. Pois a festa de Corpus Christi é também a festa do seu Corpo Místico, a Igreja, que ele nutre e leva à unidade da mútua doação.



Fonte:idapastoral.com.br/roteiros/19-de-junho-corpus-christi/?fb_action_ids=659095027499814&fb_action_types=og.likes&fb_ref=.U6F7z435SPA.like









domingo, 4 de maio de 2014

Maria, a mulher que vai a Emaús

Maria, a mulher que vai a Emaús [Maria Soave]



 "Os contos das Marias geram o
en-canto da vida"
(Lc 24,13-35)
 
Maria, um nome tão comum. Quando não se conhece o nome de uma mulher, tenta-se chamá-la de Maria e, muitas vezes, se acerta. Maria, um nome tão comum. Provavelmente, ela se chamava Maria.

Era uma mulher baixinha. Os lindos cabelos negros recolhidos em castas tranças. Este era o costume obrigatório das mulheres judias de boa reputação.

Maria gostava dos seus cabelos soltos; eram macios e espalhavam um perfume quente de azeite de oliva e de flores de jasmim.

Às vezes, de noite, à luz fraca de uma vela, Maria penteava os seus longos cabelos negros acariciando-os suavemente. Cleofas gostava de olhar a sua esposa perdida em pensamentos longínquos se penteando à luz frágil de uma vela. Cleofas gostava, à noite, de se perder no cheiro quente de azeite de oliva e de flor de jasmim. Eram casados há pouco tempo. Um casamento feito de sonho, amor e diálogo.

Há alguns meses tinham conhecido o grupo de Jesus. Um grupo como muitos outros existentes na Galiléia daquele tempo.

Um grupo como os outros e, ao mesmo tempo, tão diferente.

Quantas crianças participavam daquele grupo! Eram filhos de algumas discípulas e discípulos de Jesus.

Crianças amadas, acolhidas...

Para elas tinha espaço no grupo. Jesus adorava brincar com elas, carregava-as no colo e, ao entardecer, sentado debaixo de uma grande figueira, contava estórias, que chamavam sonhos bons nos corpos cansados daqueles pequenos. Jesus costumava dizer que o Reino de Deus é para as crianças. Maria e Cleofas sorriam ouvindo aquelas palavras. Nos olhos e no coração dos dois apareciam os rostos sonhados dos filhos do futuro, filhos e filhas, todas as pessoas empobrecidas, que viveriam num mundo diferente, um mundo de partilha, de amor, de carinho; um mundo com o mesmo cheiro do Reino de Deus.

O grupo de Jesus, um grupo como os outros e, ao mesmo tempo, tão diferente.

Quantas mulheres participavam do grupo de Jesus! Mulheres casadas e solteiras, viúvas... Mulheres discípulas, ministras da palavra e da fração do pão.

O grupo de Jesus, um espaço para crianças e mulheres, um espaço para todos os empobrecidos.

O grupo de Jesus, lugar de resgate da vida digna. Pessoas contando histórias que devolviam a esperança ao povo massacrado pelos impostos dos romanos e do templo. O grupo de Jesus, gente de carinho e de cura, mulheres e homens conhecedores da cura das ervas e das palavras boas que saram feridas da alma e do coração.

Maria, um nome tão comum. Um nome que não precisa ser citado nos livros de história. Ela, a esposa de Cleofas, provavelmente era conhecida só como a "Maria de Cleofas".

Maria, discípula do grupo de Jesus. Fazia já duas noites que sonhos assustadores visitavam o repouso de Maria.

Ela acordava, de repente, com o coração na garganta e o rosto molhado de lágrimas amargas.

O sono tranqüilo do descanso não iria mais voltar e os olhos, cheios de lágrimas, ficariam assim, abertos, fixando tristemente o vazio até as primeiras luzes da alvorada.

Há dois dias, na lua cheia da primavera, Maria tinha presenciado a morte do amigo.

Jesus, morto como bandido incômodo ao poder do templo e do imperador romano.

Foi impossível consolar o amigo. Foi obrigada, como outras mulheres do grupo, a ouvir os gritos de Jesus de longe, porque os soldados ameaçavam de morte todas as pessoas que ficassem muito perto das cruzes.

Uma pergunta trágica estava enroscada na garganta de Maria, parecia crescer à noite e quase a sufocava.

Por que tanta violência? Por que o amigo Jesus tinha sido morto? Ele, o meigo contador de estórias para mulheres, pobres e crianças... Ele, que fazia a esperança de um mundo melhor, sem exploradores e explorados, voltar a brilhar nos corpos das pessoas...

Ele, que, superando todos os orgulhos patriarcais, fazia das mulheres discípulas amadas...

Tudo estava acabado... Tudo... E a tristeza sufocava a garganta de Maria.

Cleofas também acordava, à noite, quando Maria acordava.

Ele sabia muito bem que Jerusalém nunca tinha sido um lugar acolhedor e seguro para a gente da Galiléia nem para quem aderia a idéias e práticas novas, ainda menos agora, com a morte de Jesus.

Decidiram então sair da cidade e tentar recompor os pedaços da vida e dos sonhos estraçalhados após a morte do amigo.

Saíram bem cedinho, às primeiras luzes, quando o dia ainda não é dia e a noite não é mais noite. Saíram abraçados, para se proteger do medo, do frio e da sufocante tristeza.

Tinham que percorrer alguns quilômetros. A palavra boa começou a se fazer espaço entre o nó da garganta de Maria. Ela lembrava os contos do amigo.

Lembrava as palavras e as estórias que nunca cansava de ouvir. Estórias de cura, de amor, de perdão, de partilha... Estórias do Reino de Deus. Estórias já cantadas e contadas desde Moisés até os profetas e profetisas... Estórias do Sonho de Deus!

A tristeza e o desânimo enroscados na garganta e no coração de Maria suavemente se desmanchavam, deixando lugar para uma doce saudade... O coração do casal ia se aquecendo na memória do amigo amado.

O sol começava a brilhar entre a planície e as montanhas e Cleofas percebia de novo o cheiro quente de óleo de oliva e de flor de jasmim nos cabelos de Maria.

Chegaram em casa, cansados e famintos. Maria, como sempre, foi buscar um pão guardado na despensa.

Não precisaram de palavras... O silêncio estava grávido de sentido. A vida cria símbolos: o pão. Os símbolos criam ritos: a fração do pão. E os ritos devolvem a vida e a esperança:

"Ele não está entre os mortos, ressuscitou! A vida tem sempre a última palavra!"

Fonte: http://www.cebi.org.br/noticias.php?secaoId=9&noticiaId=4830

segunda-feira, 31 de março de 2014

50 anos do golpe militar - fantasmas ainda assombram o Brasil

Na madrugada de 22 de setembro de 1985, seis meses depois de iniciado o processo de redemocratização do país, o economista Gustavo Buarque Schiller, de 35 anos, abriu a janela do apartamento, em Copacabana, no Rio, e voou para a morte. Formado também em sociologia e filosofia, trabalhava como pesquisador do Estaleiro Mauá e deixou órfã uma filhinha com menos de dois anos.

Seis anos antes, o frei dominicano Tito de Alencar se enforcava com uma corda jogada sobre o caibro de um galpão em Lyon, na França, assombrado pela imagem do delegado Sérgio Paranhos Fleury, que o havia torturado pessoalmente em São Paulo.
Divulgação/Memorial Frei Tito
Assombrado pela imagem de seu torturador, Frei Tito se matou após deixar a prisão
Gustavo, que havia participado do roubo de US$ 2,6 milhões do cofre do ex-governador paulista Ademar de Barros, e Tito, torturado para abrir informações sobre o líder da ALN, Carlos Marighella, não foram os únicos a escancarar a herança mais tenebrosa dos anos de chumbo.
Há ainda uma legião de ativistas que, passados 46 dos anos mais violentos da ditadura brasileira, entre 1969 e 1974, não conseguiu superar os traumas psicológicos causados pelos horrores do cárcere e de sua face mais cruel: a tortura, as execuções sumárias de prisioneiros dominados, sem chances de reação e, para dar requinte à barbárie, os desaparecimentos forçados – crimes imprescritíveis no mundo democrático.
Transtornados pelos pesadelos, assombrados e deprimidos pelas lembranças dos algozes e da humilhação, muitos outros ex-militantes, mesmo depois que a ditadura terminou, também não aguentaram os traumas e se mataram. É difícil chegar a um consenso sobre o número de suicídios ocorridos depois da Anistia, em 1979, porque muitos casos são atribuídos a morte natural ou acidental, mas certamente passa de uma dezena. Nos centros de detenção e tortura, dezenas de homens e mulheres que figuram numa lista de desaparecidos cujo número varia ente 150 e 180 militantes simplesmente não resistiram e sucumbiram sem vida nas mãos dos torturadores.
Cadeiras vazias
A lista de pessoas comprovadamente mortas nessas condições é enorme e, em alguns casos, envolve vários membros de uma mesma família. São os Grabois, os Petit, os Seixas, os Corrêa, os Pereira, os Cassemiro, os Carvalho e tantos outros sobrenomes de rebeldes que resistiram à ditadura no campo e nas cidades. O que choca não são as mortes em combate, mas a barbárie pelo lado mais forte do conflito.
Em muitas casas de militantes desaparecidos, uma cadeira vazia em volta da mesa de refeições, reservada para alguém que nunca chega, funde uma imagem de dor e esperança. A maioria das mães que entraram na Justiça para exigir a entrega dos corpos morreu sem saber o destino dos filhos. Só nos registros de sentenças judiciais são 34 casos listados.
Nas mais de 170 comissões da verdade espalhadas pelo País, militantes que sofreram o peso da ditadura – mas seguem em frente se livrando dos fantasmas através das denúncias – se misturam aos que, ainda frágeis e transtornados, entram em crise de choro na hora de revolver o passado. É como feridas que não cicatrizam.
No caso da Guerrilha do Araguaia, muitos guerrilheiros foram decapitados por índios ou mateiros que, atraídos pela recompensa oferecida, de quando em quando apareciam nas bases militares com cabeças. Lá estima-se que perto de 80 pessoas, entre camponeses recrutados para a guerrilha e quadros do PCdoB, ainda estão desaparecidos. Até agora só foram localizados os corpos de dois militantes do PCdoB, Maria Lúcia Petit e Bérgson Gurjão Farias. Restam 58 e vários camponeses cuja identificação – oito delas já confirmadas – só foi possível recentemente. Dados da Pastoral da Terra apontam que ainda há desaparecidos no campo. No período militar 1.280 camponeses foram mortos, boa parte no Sul do Pará, como reflexo direto ou indireto do conflito na área rural.
O drama dos familiares dos desaparecidos é “cruel, desumano e uma fonte permanente de sofrimento e angústia”, escrevem os juízes da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) que condenaram o Brasil. Para a entidade, os desaparecimentos, a falta de esclarecimento e de punição dos violadores representa um bloqueio à transição política e um entrave à reconciliação do Estado e de suas Forças Armadas com a sociedade civil.
Segundo a Corte, as hostilidades recíprocas, que os militares chamam de revanchismo, só cessarão quando o Brasil cicatrizar as feridas dos anos de chumbo removendo os obstáculos jurídicos para apurar os desaparecimentos, localizar os corpos, punir os responsáveis, reconhecer a brutalidade e adotar políticas públicas para reparar os erros e mudar a cultura das Forças Armadas com cursos de direitos humanos em toda a escala hierárquica.
Para se vacinar contra o autoritarismo e as violências em nome do Estado, a CIDH aponta a necessidade de tipificação do crime de desaparecimento na ordem jurídica. A entidade considera inaceitável a concessão de anistia a quem cometeu crimes contra a humanidade e fez severas críticas ao Supremo Tribunal Federal, que sancionou o desejo dos militares ao refutar uma revisão à Lei de 1979.
Três décadas depois do fim do regime, os traumas estão tão presentes que o Ministério da Justiça, seguindo recomendação da CIDH, criou um programa – as Clínicas do Testemunho – para levar atendimento psiquiátrico, psicológico e psicanalítico aos sobreviventes e a familiares vítimas de um conflito. Os custos iniciais são estimados em R$ 2,6 milhões.
“Teve gente que sobreviveu à tortura, mas não às prisões”, afirma o ex-deputado Gilney Viana, ativista de direitos humanos, ao esclarecer que para muitos militantes a cadeia foi um processo contínuo e prolongado da tortura.
Caça às bruxas
Até sufocar a subversão, os órgãos de repressão prenderam e torturam cerca de 20 mil pessoas, das quais 437 sucumbiram diante do excesso de violência – choque elétrico, espancamentos, afogamentos ou simplesmente foram executados a sangue frio depois de dominados. A linha dura militar se comportou como um poder paralelo na ofensiva ditatorial que, entre 1969 e 1974, fulminou os grupos armados, fechou o Congresso, censurou completamente a imprensa, suprimiu todos os direitos da cidadania e proibiu até o habeas corpus.
As comissões que investigam os crimes da ditadura estimam que, no total, mais de 100 mil pessoas foram detidas e perto de 10 mil, voluntária ou involuntariamente, tiveram de deixar o País, como fez o então professor de sociologia Fernando Henrique Cardoso. Os números oficiais mostram que entre os civis 7.697 foram formalmente acusados na Justiça Militar, 10.034 foram indiciados em inquérito, quatro receberam a pena de morte, 130 banidos e 4.862 adversários políticos tiveram seus mandatos cassados.
Nas Forças Armadas, 6.592 militares que se opuseram ao golpe acabaram expulsos e muitos deles – como o capitão Carlos Lamarca ou Osvaldo Orlando da Costa, o carismático guerrilheiro do Araguaia que havia alcançado a patente de primeiro tenente do Exército no Rio – foram “exemplarmente” executados. Os líderes que não fugiram do País ou acabaram sendo trocados por autoridades estrangeiras sequestradas, como Carlos Marighella, foram caçados e executados.
Violência contínua
Sustentada pelo maior e mais violento aparato de repressão instalado no período republicano, a ditadura usou a barbárie como método de interrogatório e começou a cair quando o mundo tomou conhecimento de que o país do “milagre econômico” – famoso pelo futebol que conquistava mais Copas que qualquer outra nação – torturava e matava nos porões prisioneiros indefesos.
Contrária à tese do “golpe dentro do golpe”, que normalmente trata a ditadura por períodos distintos, a historiadora Heloísa Starling sustenta que a tortura foi usada sistematicamente desde que os militares, apoiados por significativa parcela civil, derrubaram o presidente eleito João Goulart, em 1964 e não a partir de 1968, com a instituição do AI-5.
“A tortura como interrogatório foi adotada em 1964 e segue como um padrão constante até 1968”, afirma Heloísa, autora de um levantamento feito em denúncias que apareceram nos jornais da época. No primeiro ano do golpe foram registrados 148 casos. O número cai nos quatro anos seguintes – 35 registros em 1965, 66 em 1966, 50 em 1967 e 35 em 1968 – para explodir em 1969, com 1027 casos, e nos anos seguintes, até 1974.
Os dados levantados pela historiadora mostram que nos dois primeiros anos do regime militar havia pelo menos 36 centros de detenção e tortura instalados em delegacias, estabelecimentos militares e até em universidades. O Rio de Janeiro é o estado campeão, com 16 centros. No período em que antecedeu o AI-5, Heloísa encontrou registros de técnicas de tortura como afogamentos, choque elétrico, banho chinês, churrasquinho, geladeira, telefone, soro da verdade e pressão psicológica, que seriam ampliadas a partir de 1968. A violência, segundo ela, só foi alargada, mas sua matriz é anterior ao golpe de 1964.

fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2014-03-26/50-anos-do-golpe-fantasmas-da-ditadura-ainda-assombram-o-brasil.html

quarta-feira, 19 de março de 2014

Festa de São José

19 de Março - Dia de São José


O culto a São José começou provavelmente no Egito, passando mais tarde para o Ocidente, onde hoje alcança grande popularidade. Em 1870, o papa Pio IX o proclamou "O Patrono da Igreja Universal" e, a partir de então, passou a ser cultuado no dia 19 de março.
Em 1955 Pio XII fixou o dia 1º de maio para "São José Operário, o trabalhador".
Apesar de ter grande importância dentro da Igreja Católica, o nome de São José não é muito citado dentro das fontes bibliográficas da Igreja, sendo apenas mencionado nos Evangelhos de S. Lucas e S. Mateus.
Descendente de Davi, São José era carpinteiro na Galiléia e comprometido com Maria. Segundo a tradição popular, a mão de Maria era aspirada por muitos pretendentes, porém, foi a José que ela foi concedida.
Quando Maria recebeu a anunciação do anjo Gabriel de que daria à luz ao Menino Jesus, José ficou bastante confuso porque apesar de não ter tomado parte na gravidez, confiava na fidelidade dela. Resolveu, então, terminar o noivado e deixá-la secretamente, sem comentar nada com ninguém. Porém, em um sonho, um anjo lhe apareceu e contou que o Menino era Filho de Deus e que ele deveria manter o casamento.
José esteve ao lado de Maria em todos os momentos, principalmente na hora do parto, que aconteceu em um estábulo, em Belém.
Quando Jesus tinha dois anos, José foi novamente avisado por um anjo que deveria fugir de Belém para o Egito, porque todas as crianças do sexo masculino estavam sendo exterminadas, por ordem de Herodes.
José, Maria e Jesus fugiram para o Egito e permaneceram lá até que um anjo avisasse da morte de Herodes.
Temendo um sucessor do tirano, José levou a familia para Nazaré, uma cidade da Galiléia.
Outro momento da vida de Cristo em que José aparece na condição de Seu guardião foi na celebração da Páscoa Judaica, em Jerusalém, quando Jesus tina 12 anos.
Em companhia de muitos de seus vizinhos, José e Maria voltavam para a Galiléia com a certeza de que Jesus estava no meio do grupo.
Ao chegar a noite e não terem notícias de seu filho, regressaram para Jerusalém em uma busca que durou 3 dias.
 Para a surpresa do casal, Jesus foi encontrado no templo em meio aos doutores da lei mais eruditos, explicando coisas que o deixavam admirados.
Apesar da grande importância de José na vida de Jesus Cristo não há referências da data de sua morte.
Acredita-se que José tenha morrido antes da crucificação de Cristo, quando este tinha 30 anos.
  Fonte digital:

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Evangelho do Dia

O fermento dos fariseus - Mc 8,14-21


Os discípulos se esqueceram de levar pães [...]. Percebendo, Jesus perguntou-lhes: “Por que discutis sobre o fato de não terdes pães? Ainda não entendeis, nem compreendeis? Vosso coração continua endurecido? Tendo olhos, não enxergais, e tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais? Quando reparti cinco pães para cinco mil pessoas, quantos cestos recolhestes, cheios de pedaços?” – “Doze”, responderam eles. “E quando reparti sete pães com quatro mil pessoas, quantos cestos recolhestes, cheios de pedaços?” – “Sete”, responderam. Jesus então lhes disse: “E ainda não entendeis?”


LEITURA ORANTE

ORAÇÃO INICIAL

Preparo-me para a leitura Orante da Palavra, 
rezando com o Salmista e com todos que buscam na rede da internet a Palavra de Deus:
Restaura-nos, ó Deus:
faze brilhar a tua face
e seremos salvos.

1- LEITURA (VERDADE)

O texto narra um momento significativo no processo de incompreensão dos discípulos. Apresenta elementos tomados da tradição: de pães, o fermento dos fariseus e o fermento de Herodes. O fermento representava algo impuro e inaceitável a Deus. Jesus e também Paulo, se referiram às falsas doutrinas como fermento. O fermento numa massa produz a fermentação, ou seja, a transformação, alteração ou mudança. Por exemplo, quando colocamos fermento na farinha, esta é alterada. Como? Cresce e fica maior.
Jesus se referiu à doutrina dos fariseus como sendo um "fermento".Isto queria dizer que a doutrina dos fariseus e dos saduceus alteravam as verdades sobre o Reino de Deus e sua justiça. O fermento significava a presença do mal ou uma falsa doutrina que alterava, fermentava, desintegrava ou corrompia. Podemos ser contaminados ou contaminar alguém com este fermento.
Marcos aprofunda a advertência de Jesus, chamando a atenção para a cegueira, a surdez e o coração endurecido dos discípulos que estão preocupados com a falta de pães e não percebem o significado do pão único presente entre eles. 
Jesus não está sendo entendido e seguido de forma correta, por influência do "fermento" do sistema cultural e doutrinal da época. Compreender quem é Jesus - o único pão sem fermento -, implica em seguir o caminho da cruz e realizar sua proposta de Reino de justiça.

2- MEDITAÇÃO (CAMINHO)

- O que a Palavra diz para mim? 
É assim que compreendo quem é Jesus? Como os discípulos? Sou capaz de segui-lo também na cruz? 
Ou rejeito as cruzes, como me sugere o mundo? Sigo Jesus partilhando os dons que Deus me concede? Os bispos, em Aparecida, falaram do que consiste a missão de todo cristão: "Ao chamar aos seus para que o sigam, Jesus lhes dá uma missão muito precisa: anunciar o evangelho do Reino a todas as nações (cf. Mt 28,19; Lc 24,46-48). Por isto, todo discípulo é missionário, pois Jesus o faz partícipe de sua missão ao mesmo tempo que o vincula a Ele como amigo e irmão. Desta maneira, como Ele é testemunha do mistério do Pai, assim os discípulos são testemunhas da morte e ressurreição do Senhor até que Ele retorne. Cumprir esta missão não é uma tarefa opcional" (DAp 144).

3- ORAÇÃO (VIDA)

- O que a Palavra me leva a dizer a Deus? 
Faço minha a oração de Santa Edith Stein:
Senhor, não és tu o maná, 
que passa do coração do Filho ao meu, 
comida dos anjos e dos santos? 
Ele, que da morte para a vida se levantou,
também a mim ressuscitou para a vida. 
Arrancou-me do sono da morte, 
e nova vida Ele me dá de dia para dia. 
Um dia, sua plenitude inundar-me-á totalmente,
vida de tua vida 
- sim, tu mesmo!

4- CONTEMPLAÇÃO (VIDA E MISSÃO)

- Qual o meu novo olhar, a partir da Palavra? 
Vou tentar compreender melhor Jesus, hoje, e para isto fazer algum gesto de partilha. 
O Documento de Aparecida afirma: "A vida se acrescenta, dando-a, 
e se enfraquece no isolamento e no comodismo" (DAp 144)

BÊNÇÃO

O Senhor nos abençoe e nos guarde! 
O Senhor nos mostre seu rosto brilhante e tenha piedade de nós! 
O Senhor nos mostre seu rosto e nos conceda a paz! (Nm 6,24-27 )
Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém. 

COMENTÁRIOS

Os discípulos, desatentos em relação à observação de Jesus
Jesus aproveita o esquecimento e a discussão entre os discípulos para repreendê-los por causa da incredulidade deles, pois não obstante tudo o que têm ouvido e contemplado do que Jesus faz, não são capazes de ir a fundo na mensagem contida no ensinamento de Jesus nem ver no que ele faz – o texto faz referência às duas multiplicações dos pães – “sinais” que remetem ao mistério de Deus que habita a vida de Jesus. O tom do relato é áspero, expressão da indignação de Jesus acerca da atitude dos discípulos. Vê na atitude deles o perigo de serem contaminados pelo apego desordenado às tradições humanas (cf. Mc 7,1-23), à necessidade de ver um sinal do céu (cf. Mc 8,11) e ao poder pelo poder. Daí o alerta quanto ao cuidado em relação ao “fermento dos fariseus e o de Herodes”. Em nosso caso se trata da influência maléfica do ensinamento e da prática dos fariseus e do péssimo exemplo de Herodes, que podiam contaminar a todos. Na tradição rabínica o fermento era, ainda, metáfora do pecado e da corrupção. Em nosso texto, trata-se de não ser seduzido pelo ensinamento e pela atitude representados por esses dois elementos: fariseus e Herodes.

Carlos Alberto Contieri, sj

ORAÇÃO

Pai, reforça minha fé na tua providência paterna que se manifestou de tantos modos em minha vida, e livra-me de colocar minha esperança nas coisas deste mundo.

LEITURA

Tg 1,12-18

SALMO

Bem-aventurado é aquele a quem ensinais vossa lei.
Sl 94(93)

Fonte: http://www.paulinas.org.br/diafeliz/?system=evangelho